Um Sonho que Findou

Imagine se um dia o homem inventasse um aparelho para escutar pensamentos! Imagine que esse aparelho pudesse detectar os pensamentos de quem se prepara para nascer.

Se isto acontecesse, é possível que ouvíssemos algo mais ou menos assim:

"Enfim, vou realizar o meu grande sonho! Um sonho grandioso demais para mim. Para algumas pessoas, pode parecer banal porque, com certeza, elas nem sequer compreendem como ele é precioso."

Mas, é o meu sonho. O meu desejo mais intenso: viver. Depois de muitos, muitos planos, muito tempo de expectativa, vou nascer!

Vou ganhar uma existência como oportunidade inestimável para crescer, aprender, realizar, amar, ter a chance que todos têm de construir e gravar na terra sua passagem por ela.

Vou nascer. Faltam alguns meses, mas eu já estou completo há semanas.

O dia de eu ver a luz do sol, de sentir o ar entrar em meus pulmões está perto. Ah, como deverá estar a cor do céu nessa hora?

Estou ansioso para sentir o cheiro de minha mãe. Qual a cor dos seus olhos? O que será que verei primeiro: o seu sorriso de felicidade ou a sua lágrima de agradecimento a Deus?

Quem irá me balançar primeiro no colo, ela ou papai? Meu pai! Como será sua voz, como serão suas mãos? Decerto devem ser grandes, bem maiores do que as minhas. Assim eu me sentirei bem protegido e amparado.

Vou adorar correr pela casa, procurando você, mamãe. Vou tomar banho cantando e rir das suas brincadeiras.

Você me verá perder o primeiro dentinho e tomará minha mão para me ensinar a desenhar as primeiras letras. E eu vou escrever bem bonito, bem grande, dentro de um coração a palavra: mamãe!

Sonhei até há pouco. Mas hoje meu grande sonho foi transformado em pesadelo. Gritei por minha mãe porque ouvi dizer que a gente grita pela mãe, quando está com medo.

E eu tive tanto medo. Gritei. Mas ninguém me ouviu! Fui sentindo cada golpe da lâmina afiada. Encolhi-me, tentei fugir, mas não tinha para onde ir.

O ninho quente de amor se transformou numa câmara ensangüentada de morte.

Nem em todas as guerras se planejou câmara mais eficiente de matar. Um lugar onde o condenado não tem voz, não pode correr, não tem como se defender e nem querem saber se ele está sentindo alguma coisa.   Tive um sonho impossível. Sonhei com o amor. Sonhei estar aí com você, mamãe.

O sonho acabou, minha chance foi apagada e uma grande dor ficou em seu lugar.

Já não sei se voltarei a sonhar um dia. No momento, faço parte daqueles que não têm o direito de sonhar com uma nova existência.

Mas quem sabe você encontre nas crianças que conseguiram nascer e foram abandonadas, alguém que tenha sonhado como eu e que está à espera de um colo arrependido e cheio de amor." 

*

O aborto, mesmo quando aceito e tornado legal nos estatutos humanos, fere, violentamente, as leis divinas, continuando crime para quem o pratica ou a ele se permite submeter.

Pensemos nisso.

Equipe de Redação do Momento Espírita. (texto do Momento Espírita impresso do site: momento.com.br) baseado em texto intitulado Aos que sonham, de autoria de Cristina Damma F. Dias – revista Harmonia, número 84, outubro de 2001.

Discípulos

"E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo." Jesus (Lucas. 14:27)

Os círculos cristãos de todos os matizes permanecem repletos de estudantes que se classificam no discipulado de Jesus, com inexcedível entusiasmo verbal, como se a ligação legítima com o Mestre estivesse circunscrita a problema de palavras.

Na realidade, porém, o Evangelho não deixa dúvidas a esse respeito.

A vida de cada criatura consciente é um conjunto de deveres para consigo mesma, para com a família de corações que se agrupam em torno dos seus sentimentos e para com a Humanidade inteira.

E não é tão fácil desempenhar todas essas obrigações com aprovação plena das diretrizes evangélicas.

Imprescindível se faz eliminar as arestas do próprio temperamento, garantindo o equilíbrio que nos é particular, contribuir com eficiência em favor de quantos nos cercam o caminho, dando a cada um o que lhe pertence, e servir à comunidade, de cujo quadro fazemos parte.

Sem que nos retifiquemos, não corrigiremos o roteiro em que marchamos.

Árvores tortas não projetam imagens irrepreensíveis.

Se buscamos a sublimação com o Cristo, ouçamos os ensinamentos divinos. Para sermos discípulos dele é necessário nos disponhamos com firmeza a conduzir a cruz de nossos testemunhos de assimilação do bem, acompanhando-lhe os passos.

Aprendizes existem que levam consigo o madeiro das provas salvadoras, mas não seguem o Senhor por se confiarem à revolta através do endurecimento e da fuga.

Outros aparecem, seguindo o Mestre nas frases bem-feitas, mas não carregam a cruz que lhes toca, abandonando-a à porta de vizinhos e companheiros.

Dever e renovação.

Serviço e aprimoramento.

Ação e progresso.

Responsabilidade e crescimento espiritual.

Aceitação dos impositivos do bem e obediência aos padrões do Senhor.

Somente depois de semelhantes aquisições é que atingiremos a verdadeira comunhão com o Divino Mestre.

XAVIER, Francisco Cândido. Fonte Viva. Pelo Espírito Emmanuel. FEB. Capítulo 58.

Questões 958 a 959 - O Nada - Vida Futura

Respostas dos guias espirituais para Allan Kardec no Livro dos Espíritos.

958. Por que tem o homem, instintivamente, horror ao nada?

"Porque o nada não existe."

959. Donde nasce, para o homem, o sentimento instintivo da vida futura?

"Já temos dito: antes de encarnar, o Espírito conhecia todas essas coisas e a almaconserva vaga lembrança do que sabe e do que viu no estado espiritual." (393)

Comentário de Allan Kardec:

Em todos os tempos, o homem se preocupou com o seu futuro para lá do túmulo eisso é muito natural. Qualquer que seja a importância que ligue à vida presente, não podeele furtar-se a considerar quanto essa vida é curta e, sobretudo, precária, pois que a cadainstante está sujeita a interromper-se, nenhuma certeza lhe sendo permitida acerca do diaseguinte. Que será dele, após o instante fatal? Questão grave esta, porquanto não se trata dealguns anos apenas, mas da eternidade. Aquele que tem de passar longo tempo, em paísestrangeiro, se preocupa com a situação em que lá se achará. Como, então, não nos havia depreocupar a emque nos veremos, deixando este mundo, uma vez que é para sempre?

A idéia do nada tem qualquer coisa que repugna à razão. O homem que maisdespreocupado seja durante a vida, em chegando o momento supremo, pergunta a si mesmoo que vai ser dele e, sem o querer, espera.

Crer em Deus, sem admitir a vida futura, fora um contra-senso. O sentimento deuma existência melhor reside no foro íntimo de todos os homens e não é possível que Deusaí o tenha colocado em vão.

A vida futura implica a conservação da nossa individualidade, após a morte. Comefeito, que nos importaria sobreviver ao corpo, se a nossa essência moral houvesse deperder-se no oceano do infinito? As conseqüências, para nós, seriam as mesmas que setivéssemos de nos sumir no nada.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 76.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1995.

A Pregação Fundamental

Um aprendiz de Nosso Senhor Jesus-Cristo entusiasmou-se com os ensinamentos do Evangelho e decidiu propagá-los, enquanto vivesse. Leu, atencioso, as lições do Mestre e começou a comentá-Ias por toda parte, gastando dias e noites nesse mister.

Chegou, porém, o momento em que precisou pagar as próprias despesas e foi compelido a trabalhar.

Empregou-se sob as ordens de um orientador que lhe não agradou. Esse diretor de serviço achava-se muito distante da fé e, por isto, contrariava-lhe as tendências religiosas. Controlava-lhe as horas com rigor e observava-o com apontamentos acrimoniosos e rudes.

O pregador do Crucificado não mais se movimentava com a liberdade de outro tempo. Era obrigado a consagrar largos dias a trabalhos difíceis que lhe consumiam todas as forças. Prosseguia, ensinando a boa doutrina, quanto lhe era possível; porém, não mais podia agir e falar, como queria ou quando pretendia. Tinha os minutos contados, as oportunidades divididas, as semanas tabeladas e, porque se julgasse vitima das ordenações de sua chefia, procurou o diretor do serviço e despediu-se.

O proprietário que o empregara indagou do motivo que o levava a semelhante resolução.

Um tanto irônico, o rapaz explicou-se:

- Quero ser livre para melhor servir a Jesus. Não posso, pois, aceitar o cativeiro de sua casa.

Nesse dia de folga absoluta, sentiu-se tão independente e tão satisfeito que discorreu, animadamente, sobre a doutrina cristã, até depois de meia-noite, em várias casas religiosas.

Repousando, feliz, alta madrugada sonhou que o Mestre vinha encontrá-lo. Reparou-lhe a beleza celeste e ajoelhou-se para beijar-lhe a túnica resplandecente.

Jesus, porém, estampava na fisionomia dolorosa e indisfarçável tristeza.

O discípulo inquietou-se e interrogou:

- Senhor, por que te sentes amargurado?

O Cristo, respondeu, melancolicamente:

- Por que desprezaste, meu filho, a pregação que te confiei?

- Como assim, Senhor? - replicou o jovem - ainda hoje abandonei um homem tirânico para melhor ensinar a tua palavra. Tenho discursado em vários templos e comentado a Boa Nova por onde passo.

- Sim - exclamou o Mestre -, esta é a pregação que me ofereces e que desejo continues fervorosamente; todavia, confiei ao teu espírito a pregação fundamental da verdade a um homem que administra os meus interesses na Terra e não soubeste executá-Ia. Classificaste-o de ignorante e cruel; entretanto, olvidas que ele ignora o que sabes. E pretendes, acaso, desconhecer que o orientador humano que te dei somente poderia abordar-me os ensinos, nesta hora, através de teu exemplo? Tua humildade construtiva, no espírito de serviço, modificar-lhe-ia o coração... Se lhe desses cinco anos consecutivos de demonstrações evangélicas, estaria preparado a caminhar, por si mesmo, na direção do Reino Divino!. .. E ele, que determina sobre o tempo de duzentos homens, se faria melhor, mais humano e mais nobre, sem prejuízo da energia e da eficiência... Poderás ensinar o caminho celestial a cem mil ouvidos, mas a pregação do exemplo, que converta um só coração ao Infinito Bem, estabelece com mais presteza a redenção do mundo!...

O aprendiz desejou perguntar alguma coisa; entretanto, o Cristo afastou-se num turbilhão de luminosa neblina.

Acordou, sobressaltado, e não mais dormiu naquela noite.

De manhã, pôs-se a caminho do estabelecimento em que trabalhara, procurou o diretor de quem se despedira e pediu humildemente:

- Senhor, rogo-lhe desculpas pelo meu gesto impensado e, caso seja possível, readmita-me nesta casa! Aceitarei qualquer gênero de tarefa.

O chefe, admirado, indagou:

- Quem te induziu a esta modificação?

- Foi Jesus - respondeu o rapaz -; não podemos servi-Io por intermédio da indisciplina ou do orgulho pessoal.

O diretor concordou sem vacilação, exclamando:

- Entre! Estamos ao seu dispor.

Anotou a boa-vontade e o sincero desejo de servir de que o empregado dava agora vivo testemunho e passou a refletir na grandeza da doutrina que assim orientava os passos de um homem no aperfeiçoamento moral. E o aprendiz do Evangelho que retomou o trabalho comum, intensamente feliz, compreendeu, afinal, que poderia prosseguir na propaganda verbal que desejava e na pregação básica do exemplo que Jesus esperava dele.

XAVIER, Francisco Cândido. Alvorada Cristã. Pelo Espírito Neio Lúcio. FEB.

Vida Feliz XXVIII

Sê gentil com as crianças.

Elas necessitam de oportunidade e de amor para lograrem o triunfo.

Esses cidadãos em formação ignoram as lutas que os aguardam.

Distende-lhes o gesto de simpatia, transmitindo-lhes confiança na humanidade que representas.

Não as atemorizes, nem as maltrates.

Quem visse aquele menino, em Nazaré, no passado, entre outras crianças, brincando descuidadamente, não poderia imaginar que era o Construtor da Terra, nosso Modelo e Guia.

FRANCO, Divaldo Pereira. Vida Feliz. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 18.ed. LEAL, 2015. Capítulo 28.

Obreiro Sem Fé

"....e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras." (Tiago, 2:18)

Em todos os lugares, vemos o obreiro sem fé, espalhando inquietação e desânimo.

Devota-se a determinado empreendimento de caridade e abandona-o, de início, murmurando:

- "Para quê? O mundo não presta."

Compromete-se em deveres comuns e, sem qualquer mostra de persistência, se faz demissionário de obrigações edificantes, alegando: .Não nasci para o servilismo desonroso.

Aproxima-se da fé religiosa, para desfrutar-lhe os benefícios, entretanto, logo após, relega-a ao esquecimento, asseverando:

- "Tudo isto é mentira e complicação."

Se convidado a posição de evidência, repete o velho estribilho:

- "Não mereço! Sou indigno!..."

Se trazido a testemunhos de humildade, afirma sob manifesta revolta:

- "Quem me ofende assim.?"

E transita de situação em situação, entre a lamúria e a indisciplina, com largo tempo para sentir-se perseguido e desconsiderado.

Em toda parte, é o trabalhador que não termina o serviço por que se responsabilizou ou o aluno que estuda continuadamente, sem jamais aprender a lição.

Não te concentres na fé sem obras, que constitui embriaguez perigosa da alma, todavia, não te consagres à ação, sem fé no Poder Divino e em teu próprio esforço.

O servidor que confia na Lei da Vida reconhece que todos os patrimônios e glórias do Universo pertencem a Deus. Em vista disso, passa no mundo, sob a luz do entusiasmo e da ação no bem incessante, completando as pequenas e grandes tarefas que lhe competem, sem enamorar-se de si mesmo na vaidade e sem escravizar-se às criações de que terá sido venturoso instrumento.

Revelemos a nossa fé, através das nossas obras na felicidade comum e o Senhor conferirá à nossa vida o indefinível acréscimo de amor e sabedoria, de beleza e poder.

XAVIER, Francisco Cândido. Fonte Viva. Pelo Espírito Emmanuel. FEB. Capítulo 26.

Pelas Obras

"E que os tenhais em grande estima e amor por causa da sua obra." Paulo (I Tessalonicenses, 5:13)

Esta passagem de Paulo, na Primeira Epístola aos Tessalonicenses, é singularmente expressiva para a nossa luta cotidiana.

Todos experimentamos a tendência de consagrar a maior estima apenas àqueles que leiam a vida pela cartilha dos nossos pontos de vista. Nosso devotamento é sempre caloroso para quantos nos esposem os modos de ver, os hábitos enraizados e os princípios sociais todavia, nem sempre nossas interpretações são as melhores, nossos costumes os mais nobres e nossas diretrizes as mais elogiáveis.

Daí procede o impositivo de desintegração da concha do nosso egoísmo para dedicarmos nossa amizade e respeito aos companheiros, não pela servidão afetiva com que se liguem ao nosso roteiro pessoal, mas pela fidelidade com que se norteiam em favor do bem comum.

Se amamos alguém tão só pela beleza física, é provável encontremos amanhã o objeto de nossa afeição a caminho do monturo.

Se estimamos em algum amigo apenas a oratória brilhante, é possível esteja ele em aflitiva mudez, dentro em breve.

Se nos consagramos a determinada criatura só porque nos obedeça cegamente, é provável estejamos provocando a queda de outros nos mesmos erros em que temos incidido tantas vezes.

É imprescindível aperfeiçoar nosso modo de ver e de sentir, a fim de avançarmos no rumo da vida Superior.

Busquemos as criaturas, acima de tudo, pelas obras com que beneficiam o tempo e o espaço em que nos movimentamos, porque, um dia, compreenderemos que o melhor raramente é aquele que concorda conosco, mas é sempre aquele que concorda com o Senhor, colaborando com ele, na melhoria da vida, dentro e fora de nós.

XAVIER, Francisco Cândido. Fonte Viva. Pelo Espírito Emmanuel. FEB. Capítulo 24.

Mensagens Recentes

29/08/2016
Discípulos
Emmanuel
28/08/2016
27/08/2016
Vida Feliz XXVIII
Joanna de Ângelis
26/08/2016
Obreiro Sem Fé
Emmanuel
25/08/2016
Pelas Obras
Emmanuel
23/08/2016
Abortamento Eugênico
Allan Kardec
22/08/2016
Apóstolos
Emmanuel
21/08/2016
Nostalgia e Depressão
Joanna de Ângelis
20/08/2016
Vida Feliz XXVII
Joanna de Ângelis
19/08/2016
Não Esmoreças
Emmanuel
18/08/2016
Auxílio Virá
Emmanuel
17/08/2016
16/08/2016
Dever de Consciência
Allan Kardec
15/08/2016
Renasce Agora
Emmanuel
14/08/2016
Caridade e Você
André Luiz
13/08/2016
Vida Feliz XXVI
Joanna de Ângelis
12/08/2016
11/08/2016
Caridade
Thereza
09/08/2016
Não Matarás
Redação da equipe do Momento Espírita
08/08/2016
Elucidações
Emmanuel
07/08/2016
Adversidades e Insucessos
Joanna de Ângelis
06/08/2016
Vida Feliz XXV
Joanna de Ângelis
05/08/2016
Divina presença
Emmanuel
04/08/2016
Planeta Intermediário
Vianna de Carvalho
02/08/2016
Oportunidades
Redação da equipe do Momento Espírita
01/08/2016
31/07/2016
Acidentes
Emmanuel
31/07/2016
31/07/2016
Confia
Emmanuel
30/07/2016
Vida Feliz XXIV
Joanna de Ângelis