Preces Inteligíveis

Se eu não entender o que significam as palavras, serei um bárbaro para aquele a quem falo e aquele que me fala será para mim um bárbaro. - Se oro numa língua que não entendo, meu coração ora, mas a minha inteligência não colhe fruto. - Se louvais a Deus apenas de coração, como é que um homem do número daqueles que só entendem a sua própria língua responderá amém no fim da vossa ação de graças, uma vez que ele não entende o que dizeis? - Não é que a vossa ação não seja boa, mas os outros não se edificam com ela. (S. PAULO, 1a aos Coríntios, cap. XIV, vv. 11, 14, 16 e 17.)

A prece só tem valor pelo pensamento que lhe está conjugado. Ora, é impossível conjugar um pensamento qualquer ao que se não compreende, porquanto o que não se compreende não pode tocar o coração. Para a imensa maioria das criaturas, as preces feitas numa língua que elas não entendem não passam de amálgamas de palavras que nada dizem ao espírito. Para que a prece toque, preciso se torna que cada palavra desperte uma idéia e, desde que não seja entendida, nenhuma idéia poderá despertar. Será dita como simples fórmula, cuja virtude dependerá do maior ou menor número de vezes que a repitam. Muitos oram por dever; alguns, mesmos, por obediência aos usos, pelo que se julgam quites, desde que tenham dito uma oração determinado número de vezes e em tal ou tal ordem. Deus vê o que se passa no fundo dos corações; lê o pensamento e percebe a sinceridade. Julgá-lo, pois, mais sensível à forma do que ao fundo é rebaixá-lo. (Cap. XXVIII, no 2.)

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. Capítulo 27. Items 16 e 17.

Aborto Provocado

A Palavra da Doutrina e da Ciência sobre o momentoso assunto

Nenhuma mente focalizada na justiça moral há de concordar com o assassinato de crianças. A resposta à questão 358 de “O Livro dos Espíritos” diz que “Há sempre crime, quando se transgride a Lei de Deus. A mãe, ou qualquer pessoa, cometerá sempre um crime ao tirar a vida à criança antes do seu nascimento, porque isso é impedir uma alma de passar pelas provas de que o corpo devia ser o instrumento”. Maior força ganha a decisão em se referindo a crianças totalmente impossibilitadas de se defenderem, como o é o feto. Sim, porque há vida, há ser vivente, desde o momento em que houve a fecundação. Desde esse momento, que acontece algumas horas após o ato sexual, há uma vida dentro do útero da mãe, pulsando uma grande vontade de nascer para o mundo encarnado. Esse ser, chamado inicialmente de embrião, e depois de algumas semanas, de feto, é uma criança em formação e não tem a mínima possibilidade de, por si só, se defender contra o ataque assassino perpetrado pelo abortamento voluntário.

Nossa legislação permite o abortamento provocado em duas situações: quando há definitivo perigo de morte da mãe por causa da gravidez e por gravidez conseqüente a estupro.

Essa primeira permissão da lei está consignada na questão 359 de “O Livro dos Espíritos”, desde 1857. Pergunta: “No caso em que a vida da mãe estaria em perigo pelo nascimento da criança, há crime em sacrificar a criança para salvar a mãe?”. Resposta dos Espíritos da Codificação, sob o comando do Espírito da Verdade: “É preferível sacrificar o ser que não existe a sacrificar o que existe”. Na segunda permissão, dita legal, estupro seguido de gravidez, os legisladores não conhecendo a lei de causa e efeito consignaram essa cláusula pensando apenas no ato e fato consumado. Os efeitos de uma causa podem aparecer nesta ou nas vidas seguintes do Espírito. Por isso, o crime de estupro pode ser a conseqüência agora de imprudências, indução obsessiva, ou de provação por uma causa anterior. Uma vez que se colhe sempre o que se planta, cada um é responsável pelos fatos conseqüentes do plantio antecedente. Desse modo, não se pode corrigir um erro com outro erro, mas se deve aceitar o desafio de transformá-lo em um bem. No caso em pauta, aceitar a gravidez, amar e educar o espírito, chegante por essa via, através da própria mãe, ou de outra que adote a criança para torná-lo em um espírito evangelizado.

Conseqüente ao exposto, a Doutrina Espírita só admite o abortamento provocado quando há definitivo risco de morte para a mãe, se a gravidez continuar, consoante a resposta dada pelos Espíritos na questão 359 relatada acima. Fora isso, todo abortamento voluntário é grave delito e trará conseqüências de difíceis soluções já nesta vida quanto nas outras subseqüentes envolvendo a todos que, direta ou indiretamente, dele participem.

Na presente vida, a mulher que provoca um abortamento está sujeita a severas conseqüências atinentes à saúde de seu próprio corpo físico. Hemorragias e infecções, de várias etiologias, que podem levar à morte, são condições comuns encontradas pelos profissionais da saúde quando do atendimento dessas mulheres. Esses dois efeitos são, muitas vezes, difíceis de serem solucionados e demandam longo tempo em sofrimento, trazendo conseqüências futuras sombrias: doenças crônicas insolúveis, infecções recorrentes, infertilidade definitiva, tumoração cancerígena, etc... Muitas vezes a violência do abortamento chega a perfurar a vagina, útero e trompas cujas conseqüências são muito danosas à saúde. No aspecto psíquico, o remorso é uma perigosa energia que vai corroendo gradualmente o equilíbrio emocional e permite aflorar desajustes mentais que estavam subjacentes, abrindo campo à loucura propriamente dita (na visão médica) e à obsessão (na visão espírita).

A morte de mulheres conseqüente ao abortamento provocado é uma das armas usadas pelo grupo pró-aborto, para justificar a sua necessidade de legalização. Isso porque, se legal, o aborto será executado em clínicas especializadas, públicas ou privadas, diminuindo drasticamente a mortalidade feminina por essa causa. Ora, se para diminuir a morte dessas mulheres, legaliza-se um infanticídio, seria, então, também, justo, seguindo essa linha caolha de raciocínio, legalizar os roubos, os assaltos e os assassinatos comuns para diminuir as mortes por essas causas. Esclarecer essas mulheres dos perigos a que estão sujeitas e que existem outros meios de impedir que se engravidem, deve ser o caminho de todo aquele que preza a vida dada por Deus.

J. Tomé de Sousa. O Dr. J. Tomé de Sousa é Médico, pesquisador e professor titular na UFG, Doutor em Neurofisiologia, Espírita e estudioso da Doutrina. Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/aborto/aborto-provocado.html.

Persiste e Segue

"Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas e os joelhos desconjuntados." Paulo (Hebreus,12:12)

O lavrador desatento quase sempre escuta as sugestões do cansaço.

Interrompe o serviço, em razão da tempestade, e a inundação lhe rouba a obra começada e lhe aniquila a coragem incipiente.

Descansa, em virtude dos calos que a enxada lhe ofereceu, e os vermes se incumbem de anular-lhe o serviço.

Levanta as mãos, no princípio, mas não sabe tornar a levantá-las, na continuidade da tarefa, e perde a colheita.

O viajor, por sua vez, quando invigilante, não sabe chegar convenientemente ao termo da jornada.

Queixa-se da canícula e adormece na penumbra de ilusórios abrigos, onde inesperados perigos o surpreendem. De outras vezes, salienta a importância dos pés ensangüentados e deita-se às margens da senda, transformando-se em mendigo comum.

Usa os joelhos sadios, não se dispondo, todavia, a mobilizá-los quando desconjuntados e feridos, e perde a alegria de alcançar a meta na ocasião prevista.

Assim acontece conosco na jornada espiritual.

A luta é o meio.

O aprimoramento é o fim.

A desilusão amarga.

A dificuldade complica.

A ingratidão dói.

A maldade fere.

Todavia, se abandonarmos o campo do coração por não sabermos levantar as mãos, de novo, no esforço persistente, os vermes do desânimo proliferarão, precipites, no centro de nossas mais caras esperanças, e se não quisermos marchar, de joelhos desconjuntados, é possível sejamos retidos pela sombra de falsos refúgios, durante séculos consecutivos.

XAVIER, Francisco Cândido. Fonte Viva. Pelo Espírito Emmanuel. FEB. Capítulo 99.

Questões 223 a 224 - Espíritos Errantes

Respostas dos guias espirituais para Allan Kardec no Livro dos Espíritos.

223. A alma reencarna logo depois de se haver separado do corpo?

"Algumas vezes reencarna imediatamente, porém, de ordinário só o faz depois de intervalos mais ou menos longos. Nos mundos superiores, a reencarnação é quase sempre imediata. Sendo aí menos grosseira a matéria corporal, o Espírito, quando encarnado nesses mundos, goza quase que de todas as suas faculdades de Espírito, sendo o seu estado normal o dos sonâmbulos lúcidos entre vós."

224. Que é a alma no intervalo das encarnações?

"Espírito errante, que aspira a novo destino, que espera."

224a. Quanto podem durar esses intervalos?

"Desde algumas horas até alguns milhares de séculos. Propriamente falando, não há extremo limite estabelecido para o estado de erraticidade, que pode prolongar-se muitíssimo, mas que nunca é perpétuo. Cedo ou tarde, o Espírito terá que volver a uma existência apropriada a purificá-lo das máculas de suas existências precedentes."

224b. Essa duração depende da vontade do Espírito, ou lhe pode ser imposta como expiação?

"É uma conseqüência do livre-arbítrio. Os Espíritos sabem perfeitamente o que fazem. Mas, também, para alguns, constitui uma punição que Deus lhes inflige. Outros pedem que ela se prolongue, a fim de continuarem estudos que só na condição de Espírito livre podem efetuar-se com proveito."

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 76.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1995.

Vida Feliz LXII

Tua experiência é um valor que logras através do tempo, vivendo as lições da vida, no teu processo de evolução.

Estrada percorrida, caminho conhecido.

Face a tal conquista, descobres que há uma grande distância entre a teoria e a prática.

Medita mais, antes de agires, tomando decisões tranquilas e alentadoras.

Quando ages por impulso, estás sujeito a erros graves.

Há acontecimentos que sucedem no momento próprio, no entanto, é o homem sábio quem estabelece a hora para as realizações superiores.

FRANCO, Divaldo Pereira. Vida Feliz. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 18.ed. LEAL, 2015. Capítulo 62.

O Ofendido

"Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe ? Até sete vezes ?" - Mateus, 18:21.

"Se alguém te ofendeu, perdoa, não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes."

O ensinamento do Cristo define com clareza as vantagens potenciais da criatura insultada ou incompreendida.

Por isso mesmo, não traça o Divino Mestre quaisquer obrigações de caráter imediato para os ofensores, de vez que todos aqueles que ferem os outros esculpem para logo, na própria alma, os estígmas da culpa. E toda culpa é sempre fator de enfermidade ou pertubação.

Em todo processo de ofensa, quem a recebe se encontra num significativo momento de Vida Espiritual;

é quem dispõe do privilégio de desfazer as trevas dos gestos impensados, suscetíveis de se alastrarem em desequilíbrio;

quem guarda a possibilidade de preservar a coesão e a harmonia do grupo em que se integra;

quem conserva as rédeas da defesa íntima de quantos lhe usufruam a amizade e a convivência, ainda capazes de reações inconvenientes ou negativas à frente da injúria;

quem efetivamente pode auxiliar o ofensor, através da bondade e do entendimento com que lhe acolhe as agressões;

e quem, por fim, consegue beneficiar-se, resguardando o próprio coração, por imunizá-lo contra a queda em revide ou violência.

O ofendido, entretanto, tão somente obterá tudo isso, caso se disponha a esquecer o mal e perdoar o adversário, prosseguindo sem reclamar na construção incessante do bem e na sustentação da harmonia, porque, toda vez em que nos transformamos levianamente em ofensores, passamos à posição de doentes da alma, necessitados de compaixão e de socorro, a fim de que não venhamos a cair em condição pior.

XAVIER, Francisco Cândido. Perante Jesus. Pelo Espírito Emmanuel. IDEAL.