Questões 195 a 196 - Transmigrações Progressivas

Respostas dos guias espirituais para Allan Kardec no Livro dos Espíritos.

195. A possibilidade de se melhorarem noutra existência não será de molde a fazer que certas pessoas perseverem no mau caminho, dominadas pela idéia de que poderão corrigir-se mais tarde?

"Aquele que assim pensa em nada crê e a idéia de um castigo eterno não o refrearia mais do que qualquer outra, porque sua razão a repele, e semelhante idéia induz à incredulidade a respeito de tudo. Se unicamente meios racionais se tivessem empregado para guiar os homens, não haveria tantos cépticos. De fato, um Espírito imperfeito poderá, durante a vida corporal, pensar como dizes; mas, liberto que se veja da matéria, pensará de outro modo, pois logo verificará que fez cálculo errado e, então, sentimento oposto a esse trará ele para a sua nova existência. É assim que se efetua o progresso e essa a razão por que, na Terra os homens são desigualmente adiantados. Uns já dispõe de experiência que a outros falta, mas que adquirirão pouco a pouco. Deles depende o acelerar-se-lhes o progresso ou retardar-se indefinidamente."

Comentário de Allan Kardec:

O homem, que ocupa uma posição má, deseja trocá-la o mais depressa possível. Aquele, que se acha persuadido de que as tribulações da vida terrena são conseqüência de suas imperfeições, procurará garantir para si uma nova existência menos penosa e esta idéia o desviará mais depressa da senda do mal do que a do fogo eterno, em que não acredita.

196. Não podendo os Espíritos aperfeiçoar-se, a não ser por meio das tribulações da existência corpórea, segue-se que a vida material seja uma espécie de crisol ou de depurador, por onde têm que passar todos os seres do mundo espírita para alcançarem a perfeição?

"Sim, é exatamente isso. Eles se melhoram nessa provas, evitando o mal e praticando o bem; porém, somente ao cabo de mais ou menos longo tempo, conforme os esforços que empreguem; somente após muitas encarnações ou depurações sucessivas, atingem a finalidade para que tendem."

196a. É o corpo que influi sobre o Espírito para que este se melhore, ou o Espírito que influi sobre o corpo?

"Teu Espírito é tudo; teu corpo é simples veste que apodrece: eis tudo."

Comentário de Allan Kardec:

O suco da vide nos oferece um símile material dos diferentes graus da depuração da alma. Ele contém o licor que se chama espírito ou álcool, mas enfraquecido por uma imensidade de matérias estranhas, que lhe alteram a essência. Esta só chega à pureza absoluta depois de múltiplas destilações, em cada uma das quais se despoja de algumas impurezas. O corpo é o alambique em que a alma tem que entrar para se purificar. Às matérias estranhas se assemelha o perispírito, que também se depura, à medida que o Espírito se aproxima da perfeição.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 76.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1995.

Operemos em Cristo

"E quanto fizerdes, por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus e Pai." - Paulo. (COLOSSENSES, 3:17.)

A espera de resultados, depois de expressões e ações reconhecidamente elevadas, pode provocar enormes prejuízos em nossa romagem para a Suprema Luz.

Enquanto aguardamos manifestações alheias de gratidão ou melhoria, somos suscetíveis de paralisar nossas próprias obrigações, desviando-nos para o terreno escuro da maledicência ou do julgamento precipitado.

Quanto seja possível, distribuamos o bem, entregando nossas atividades ao Cristo, divino doador dos benefícios terrestres.

É perigoso estabelecer padrões de reconhecimento para corações alheios, ainda mesmo quando sejam preciosas jóias do nosso escrínio espiritual. Em nossa expectação ansiosa por enxergar a soma de nossos gestos nobres, podemos parecer egoístas, ingratos e maldizentes.

Copiemos o pomicultor sensato.

Preparemos a terra, auxiliando-a e adubando-a. Em seguida, lancemos ao solo sementes e mudas valiosas.

O serviço mais importante caberá ao Senhor da Vida. Ele cuidará das circunstâncias favoráveis no espaço e no tempo, desenvolvendo-nos a sementeira, ou anular-nos-á o serviço, através de processos naturais, adiando a realização de nossos desejos, em virtude de razões que desconhecemos.

O pomicultor equilibrado trabalha com títulos de sincera confiança no Céu, ignorando, de maneira absoluta, se colherá flores ou frutos de suas obras, no quadro do imediatismo humano.

Ampara-se, todavia, na Providência Divina e trabalha sempre, a benefício de todos.

Cumpramos, assim, nossa tarefa, por mais alta ou mais humilde, operando invariavelmente em nome de Jesus.

Junto dEle, sejam para nós a glória de amar e o prazer de servir.

XAVIER, Francisco Cândido. Vinha de Luz. Pelo Espírito Emmanuel. 14.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1996. Capítulo 108.

Vida Feliz LVII

Canaliza bem a tua energia, a fim de que se não converta em presunção e violência.

Podes e deves ser enérgico, nunca, porém, agressivo.

É justo que te sintas jubiloso com os teus recursos, todavia, não te tornes jactancioso.

Quando a tentação do revide perturbar-te o discernimento, reage e atua com severidade, entretanto sem exagero.

A força que edifica, também derruba.

Os fortes e temperamentais terminam os dias com os nervos em frangalhos e a sós...

FRANCO, Divaldo Pereira. Vida Feliz. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 18.ed. LEAL, 2015. Capítulo 57.

Impedimentos

" Pondo de lado todo o impedimento, corramos com perseverança a carreira que nos está proposta" . Paulo (Hebreus, 12:1)

Por onde transites, na Terra, transportando o vaso de tua fé a derramar-se em boas obras, encontrarás sempre impedimentos a granel, dificultando-te a ação.

Hoje, é o fracasso nas tentativas iniciais de progresso.

Amanhã, é o companheiro que falha.

Depois, é a perseguição descaridosa ao teu ideal.

Afligir-te-ás com o fel de muitos lábios que te merecem apreço.

Sofrerás, de quando em quando, a incompreensão dos outros.

Periodicamente encontrarás na vanguarda obstáculos mil, induzindo-te à inércia ou à negação.

A carreira que nos está proposta, no entanto, deve desdobrar-se no roteiro do bem incessante...

Que fazer com as pessoas e circunstâncias que nos compelem ao retardamento e à imobilidade?

O apóstolo dos gentios responde, categórico:

"Pondo de lado todo o impedimento".

Colocar a dificuldade à margem, porém, não e desprezar as opiniões alheias quando respeitáveis ou fugir à luta vulgar. É respeitar cada individualidade, na posição que lhe é própria, é partilhar o ângulo mais nobre do bom combate, com a nossa melhor colaboração pelo aperfeiçoamento geral. E, por dentro, na intimidade do coração, prosseguir com Jesus, hoje, amanhã e sempre, agindo e servindo, aprendendo e amando, até que a luz divina brilhe em nossa consciência, tanto quanto inconscientemente já nos achamos dentro dela.

XAVIER, Francisco Cândido. Fonte Viva. Pelo Espírito Emmanuel. FEB. Capítulo 12.

Oportunidade de Servir

Não se detenha diante da oportunidade de servir. Mobilize o pensamento para criar vida nova.

Melhore os próprios conhecimentos, estudando sempre.

Não permita que a dificuldade lhe abra a porta ao desânimo porque a dificuldade é o meio de que a vida se vale para melhorar-nos em habilitação e resistência.

Nunca desconsidere o valor de sua dose de solidão, a fim de aproveitá-la em meditação e reajuste das próprias forças.

Pelo Espírito André Luiz

XAVIER, Francisco Cândido. Agenda de Luz. Espíritos Diversos. IDEAL.

Não vos afadigueis pela posse do ouro

Não vos afadigueis por possuir ouro, ou prata, ou qualquer outra moeda em vossos bolsos. - Não prepareis saco para a viagem, nem dois fatos, nem calçados, nem cajados, porquanto aquele que trabalha merece sustentado.

Ao entrardes em qualquer cidade ou aldeia, procurai saber quem é digno de vos hospedar e ficai na sua casa até que partais de novo. - Entrando na casa, saudai-a assim: Que a paz seja nesta casa. Se a casa for digna disso, a vossa paz virá sobre ela; se não o for, a vossa paz voltará para vós.

Quando alguém não vos queira receber, nem escutar, sacudi, ao sairdes dessa casa ou cidade, a poeira dos vossos pés. - Digo-vos, em verdade: no dia do juízo, Sodoma e Gomorra serão tratadas menos rigorosamente do que essa cidade. (S. MATEUS, cap. X, vv. 9 a 15.)

Naquela época, nada tinham de estranhável essas palavras que Jesus dirigiu a seus apóstolos, quando os mandou, pela primeira vez, anunciar a boa-nova. Estavam de acordo com os costumes patriarcais do Oriente, onde o viajor encontrava sempre acolhida na tenda. Mas, então, os viajantes eram raros. Entre os povos modernos, o desenvolvimento da circulação houve de criar costumes novos. Os dos tempos antigos somente se conservam em países longínquos, onde ainda não penetrou o grande movimento. Se Jesus voltasse hoje, já não poderia dizer a seus aposto-los: "Ponde-vos a caminho sem provisões."

A par do sentido próprio, essas palavras guardam um sentido moral muito profundo. Proferindo-as, ensinava Jesus a seus discípulos que confiassem na Providência. Ao demais, eles, nada tendo, não despertariam a cobiça nos que os recebessem. Era um meio de distinguirem dos egoístas os caridosos. Por isso foi que lhes disse: "Procurai saber quem é digno de vos hospedar" ou: quem é bastante humano para agasalhar o viajante que não tem com que pagar, porquanto esses são dignos de escutar as vossas palavras; pela caridade deles é que os reconhecereis.

Quanto aos que não os quisessem receber, nem ouvir, recomendou ele porventura aos apóstolos que os amaldiçoassem, que se lhes impusessem, que usassem de violência e de constrangimento para os converterem? Não; mandou, pura e simplesmente, que se fossem embora, à procura de pessoas de boa vontade.

O mesmo diz hoje o Espiritismo a seus adeptos: não violenteis nenhuma consciência; a ninguém forceis para que deixe a sua crença, a fim de adotar a vossa; não anatematizeis os que não pensem como vós; acolhei os que venham ter convosco e deixai tranqüilos os que vos repelem. Lembrai-vos das palavras do Cristo. Outrora, o céu era tomado com violência; hoje o é pela brandura. (Cap. IV, no 10 e 11.)

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. Capítulo 25. Itens 9, 10 e 11.

A Visão Espírita do Aborto Provocado

O aborto é a expulsão de um “concepto” inviável. Esta, a denominação dada ao feto que pesa até 500 gramas e cujo comprimento máximo é de 16 cms. Embora conste da literatura médica o caso de um feto que sobreviveu com apenas 397 gramas, os dados acima são os aceites para a sua definição.

Do ponto de vista médico, há muitas classificações de aborto contudo, neste artigo, vamos apenas abordar, de forma sucinta, o aborto provocado ou intencional.

Éticamente, existem duas atitudes ante o embrião. Uma, é a de quem o considera como uma coisa, algo descartável, sem dignidade intrínseca, e do qual se pode dispor sem problemas. Esta é a ideia do “embrião-coisa”, que predomina na mente das pessoas que aceitam o aborto. Um exemplo típico de quem adopta esta atitude é Molly Yard. Numa entrevista concedida à revista “Isto É/Senhor”, de 23/08/89, a então Presidente da Organização Nacional das Mulheres dos EUA, afirmou: “Num aborto praticado no primeiro trimestre de gravidez, o que se perde são algumas colheradas de células, mais nada. Aquilo não tem a menor viabilidade de vida independente fora do útero da mulher.” Esta é a visão distorcida do embrião difundida pelas militantes pró-aborto, sobretudo pelas feministas, com o objectivo de reduzir o extraordinário fenómeno da vida a um acontecimento banal, destituído de importância.

Quando se difunde a ideia de que o embrião não é senão uma “colherada de células”, uma “massa informe”, “aquilo”, ou algo que “pertence” à mulher, na mesma está implícita a noção de ser uma “coisa”. No entanto, científicamente falando, nada há de mais falso. Mas o que se pretende obter com esta depreciação é bem claro: procura-se reduzir o embrião ao estado de “coisa”, para o colocar sob a exclusiva “competência” da mãe, completamente dependente do seu organismo, a fim de dar à grávida a “autonomia” para decidir se este vive ou morre. Com isto tenta-se justificar o injustificável, ou seja, negar ao zigoto (a célula-ovo) e ao embrião o direito inalienável à vida.

Felizmente, há uma segunda atitude. O da personificação. O termo persona exprime o rosto humano, o aspecto irredutível da sua personalidade, “o mistério de ser o seu fim em si mesmo”. (1) Deste modo, a pessoa tem o seu valor intrínseco, a sua dignidade ontológica, que reside no simples facto de existir. No caso do “embrião-persona”, aplica-se-lhe o conceito de pessoa, embora as suas potencialidades não se tenham ainda desenvolvido. A Bioética Personalista priveligia este modelo. Neste paradigma, o embrião usufrui de um bem que lhe é concedido, outorgado: o direito à vida.

Fica, assim, claro que as atitudes de “coisificação” ou de “personificação” do embrião, vão determinar a aceitação, ou não, do aborto intencional.

À primeira vista pode parecer que as razões contrárias ao aborto provocado estejam exclusivamente ligadas a questões religiosas, mas uma reflexão mais profunda demonstrará que têm raízes na própria ciência. Vejamos qual é o verdadeiro significado do zigoto (ovo fertilizado) à luz das Ciências da Vida.

Para Moore e Persaud (2) “o desenvolvimento humano é um processo contínuo que começa quando o ovócito de uma mulher é fertilizado por um espermatozóide de um homem. O desenvolvimento envolve muitas modificações que transformam uma única célula – o zigoto – num ser humano multicelular”. Ainda segundo estes ilustres embriologistas, o zigoto e o embrião inicial, são organismos humanos vivos, nos quais já estão fixadas todas as bases do indivíduo adulto. Sendo assim, não é possível interromper qualquer ponto do continuum – zigoto, feto, criança, adulto, velho – sem causar danos irreversíveis ao bem maior que é a própria vida.

O que é um facto é que os especialistas sabem das qualidades da célula-ovo ou zigoto. Em nenhum outro momento da vida humana se vai encontrar tanto potencial dentro de uma única célula: a sua extraordinária força germinativa, o seu DNA inconfundível, o seu rico quimismo celular. A concepção é, portanto, um instante especial da existência: a célula-ovo (zigoto) não ultrapassa os 130 micrómetros (medida de dimensionamento histológico) mas tem um aumento ponderal de dez mil vezes nas primeiras 4 semanas de desenvolvimento e semelhante velocidade não se volta a repetir nunca mais durante a existência humana.

Na realidade a ontogénese é um processo que ainda não foi devidamente explicado pela ciência oficial. François Jacob, Prémio Nobel de Química, reconheceu que se sabe muito pouco acerca dos processos reguladores dos embriões, e da sua capacidade de produzir tecidos e órgãos tridimensionais, a partir das sequências unidimensionais existentes nas bases que estruturam os genes. (3)

Constata-se, assim, que não é verdadeira a imagem passada pelos simpatizantes pró-aborto e pelas feministas de que o embrião é uma massa informe, uma colherada de células sem significado. Esta orquestração anti-científica tem um objectivo definido: fazer da vida uma coisa banal para manipular mais livremente o embrião.

Os estudos e pesquisas científicas recentes apontam para uma verdade cristalina: a vida é um bem outorgado e, portanto, indisponível. A “coisificação” do embrião é, assim, uma atitude errada que precisa de ser revista. Sendo a vida um bem outorgado por Deus, sempre que se interfere nela para a destruir, está-se a cometer um crime passível de penalidade.

Allan Kardec perguntou aos Espíritos se é racional ter para com o feto a mesma atenção que se tem para com o corpo de uma criança viva. Em resposta, os Instrutores Espirituais realçaram a importância do respeito a ter pela obra divina, mesmo quando ainda está incompleta, porque a mesma obedece aos seus desígnios e estes ainda são insondáveis para nós, seres imperfeitos. (4) Salientam também que o aborto é um crime (5), porque a mãe, ou qualquer outra pessoa, estão a impedir aquela alma de passar pelas provas necessárias para o seu aperfeiçoamento, as quais lhe são concedidas pelo corpo físico. Os Instrutores só permitem a intervenção nos casos em que há perigo iminente de vida da gestante (6), quando há a intenção de salvar-lhe a vida e não a de destruir o feto, embora tal possa acontecer como consequência do acto de salvamento. No entanto, estes casos hoje em dia são cada vez mais raros, devido aos avanços da tecnologia médica.

Como entender o facto da consciência da mulher não acusar o crime de aborto que ela está prestes a cometer?

Por que é que ela expulsa o feto que abrigou nas suas entranhas, contrariando todos os sentimentos ( para os quais foi psiquicamente construída durante milhões de anos de evolução) e concretiza semelhante violência contra si própria?

Sabemos que há inúmeros factores que levam a mulher a cometer o aborto, mas os que mais pesam são, sem dúvida, a falta de informação, no que diz respeito ao seu próprio corpo e, também, quanto às possibilidades de um planeamento familiar e, ainda o egoísmo, exacerbado por uma visão hedonista da vida. Nós, que nos horrorizamos tanto só de pensar na possibilidade de pisar um ovo de pato e destruir a pequena ave que está lá dentro a desenvolver-se, somos levados a acreditar – através do raciocínio materialista – que o embrião humano não tem qualquer valor, podendo ser extirpado sem que os responsáveis tenham problemas de consciência. E não podemos esquecer-nos de que o gesto intencional que determina a morte do feto, é dos mais cruéis e cobardes, porque a vítima não se pode defender.

Embora a maternidade tenha um forte apelo no psiquismo da mulher, a razão nem sempre é um guia infalível e o resultado é que ela acaba por praticar o acto de violência contra o filho e contra si própria, quando todo o seu ser foi construído para resguardar a vida que se desenvolve no seu seio. Nos casos de aborto provocado, a razão é falseada “pela má educação, pelo orgulho e pelo egoísmo”. (7)

Por pressão do homem que não assume a paternidade, por vaidade e interesses egoístas, ou pelo facto de dar ouvidos a informações erróneas, como a de que o feto é um amontoado de coágulos de sangue, a mulher acaba por abafar a voz da consciência e expulsar o ser que devia proteger e defender até ao nascimento, numa missão para que foi preparada, por repetição atávica, desde há milhões de anos.

Quando o aborto é provocado, tanto a mulher como os outros implicados nessa prática, faltam ao respeito à Lei Maior que governa o Universo e ficam, naturalmente, sujeitos às sanções da Justiça Superior, sofrendo todos penalidades, mas as aplicadas à mulher são as mais rigorosas, porque foi a ela que Deus confiou, mais directamente, a missão de preservar a vida.

Uma das consequências mais comuns do aborto na mesma existência em que foi provocado, é a depressão. Os estados negativos de humor, com todo o seu cortejo de fenómenos e sinais, marcados, principalmente, pelo estado de tristeza, estão presentes na vida de muitas mulheres que o praticaram.

E a mulher que reconhece, também durante a mesma encarnação, as dívidas que contraiu com a prática do aborto provocado, o que deve fazer para se melhorar moralmente, antes de que lhe sobrevenha a morte? Esta pergunta, feita por muitas mulheres, é respondida pelos Benfeitores Espirituais: “Quem abandonou os próprios filhos pode hoje afeiçoar-se aos filhos alheios, necessitados de carinho e abnegação. O próprio Evangelho do Senhor, na palavra do Apóstolo Pedro, avisa-nos quanto à necessidade de cultivarmos ardente carinho uns para com os outros, porque a caridade cobre a multidão dos nossos pecados.” ( 8 )

Notas:

(1) – Embriologia Básica – Moore, Persaud, p.2
(2) – La Bioéthique et la Dignitée de la Personne, cap. II, p.34
(3) – Dieu , Existe-t-il? Non répondent...pp.64,65 e 66 e Conexão Cósmica, de Ervin Lazlo, pp.98 e 99
(4) – O Livro dos Espíritos, Pergunta 360
(5) – O Livro dos Espíritos, pergunta 358
(6) – O Livro dos Espíritos, pergunta 359
(7) – O Livro dos Espíritos, pergunta 75
(8) – Evolução em Dois Mundos, cap. XIV

Marlene Nobre. Médica ginecologista, escritora e presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil (AME) e da AME Internacional, publicado na Revista Verdade e Luz, nº 2.