Diante da Perfeição

"Sede perfeitos como Nosso Pai Celestial!" - Esta foi a advertência do Senhor ao nosso coração de aprendizes. Todavia, à maneira do grão de areia contemplando a estrela longínqua, sabemos quão imensa é a distância que nos separa da meta.

Impedimentos, compromissos e inibições fluem do nosso "ontem", asfixiando-nos, a cada momento de hoje, o anseio de movimentação para a luz...

Entretanto, se ainda nos situamos tão longe do justo aprimoramento que nos integrará na magnificência divina, é imperioso começar a grande romagem, oferecendo ao avanço as melhores forças.

- Ninguém exige sejas de imediato o paradigma do amor que o Mestre nos legou, mas podes ser, desde agora, o cultor da compreensão e da gentileza dentro da própria casa.

- Ninguém te pede a renúncia integral aos bens que te enriquecem os dias terrestres, no entanto, podes doar, de improviso, a migalha do que te sobre ao conforto doméstico, em auxílio ao companheiro necessitado.

- Ninguém espera desempenhes, ainda hoje, o papel de herói na praça pública, mas podes calar, sem detença, a palavra escura ou amargosa capaz de emergir de teu coração para os lábios.

- Ninguém aguarda sejas o remédio para todas as doenças, entretanto, ainda hoje, podes ser a enfermagem diligente, balsamizando as úlceras dos enfermos relegados ao abandono.

- Ninguém te solicita prodígios, em manifestações prematuras de fé, mas podes ser, sem delonga, o reconforto que ampare a quantos atravessam as sarças do caminho.

Lembra a semente que te regala o corpo e aprendamos a começar.

A planta que era ontem simples promessa, hoje é a garantia do pão que te supre a mesa.

As maiores e as mais famosas viagens iniciam-se de um passo.

Esforcemo-nos por fazer o melhor ao nosso alcance, desde agora, e a perfeição ser-nos-á, um dia, preciosa fonte de bênçãos, descortinando-nos luminoso porvir.

XAVIER, Francisco Cândido. Nascer e Renascer. Pelo Espírito Emmanuel. GEEM.

Caracteres da Perfeição

Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam. - Porque, se somente amardes os que vos amam que recompensa tereis disso? Não fazem assim também os publicanos? - Se unicamente saudardes os vossos irmãos, que fazeis com isso mais do que outros? Não fazem o mesmo os pagãos? - Sede, pois, vós outros, perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial. (S. MATEUS, cap. V, vv. 44, 46 a 48.)

Pois que Deus possui a perfeição infinita em todas as coisas, esta proposição: "Sede perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial", tomada ao pé da letra, pressuporia a possibilidade de atingir-se a perfeição absoluta. Se à criatura fosse dado ser tão perfeita quanto o Criador, tornar-se-ia ela igual a este, o que é inadmissível. Mas, os homens a quem Jesus falava não compreenderiam essa nuança, pelo que ele se limitou a lhes apresentar um modelo e a dizer-lhes que se esforçassem pelo alcançar.

Aquelas palavras, portanto, devem entender-se no sentido da perfeição relativa, a de que a Humanidade é suscetível e que mais a aproxima da Divindade. Em que consiste essa perfeição? Jesus o diz: "Em amarmos os nossos inimigos, em fazermos o bem aos que nos odeiam, em orarmos pelos que nos perseguem." Mostra ele desse modo que a essência da perfeição é a caridade na sua mais ampla acepção, porque implica a prática de todas as outras virtudes.

Com efeito, se se observam os resultados de todos os vícios e, mesmo, dos simples defeitos, reconhecer-se-á nenhum haver que não altere mais ou menos o sentimento da caridade, porque todos têm seu princípio no egoísmo e no orgulho, que lhes são a negação; e isso porque tudo o que sobreexcita o sentimento da personalidade destrói, ou, pelo menos, enfraquece os elementos da verdadeira caridade, que são: a benevolência, a indulgência, a abnegação e o devotamento. Não podendo o amor do próximo, levado até ao amor dos inimigos, aliar-se a nenhum defeito contrário à caridade, aquele amor é sempre, portanto, indício de maior ou menor superioridade moral, donde decorre que o grau da perfeição está na razão direta da sua extensão. Foi por isso que Jesus, depois de haver dado a seus discípulos as regras da caridade, no que tem de mais sublime, lhes disse: "Sede perfeitos, como perfeito é vosso Pai celestial."

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. Capítulo 17. Itens 1e 2. Livro eletrônico gratuito em http://www.febnet.org.br.

Saudade

Ante aos mortos queridos,
Faze o silêncio e ora

Ninguém pode apagar
A chama da saudade.

Entretanto se choras,
Chora fazendo o bem.

A morte para a vida
É apenas mudança

A semente no solo
Mostra a ressurreição.

Todos estamos vivos
Na presença de Deus...

Pelo Espírito Emmanuel

XAVIER, Francisco Cândido. Fonte de Paz. Espíritos Diversos. IDE. Capítulo 18.

Credores Diferentes

"Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos." - Jesus. (MATEUS, 5:44.)

O problema do inimigo sempre merece estudos mais acurados.

Certo, ninguém poderá aderir, de pronto, à completa união com o adversário do dia de hoje, como Jesus não pôde rir-se com os perseguidores, no martírio do Calvário.

Entretanto, a advertência do Senhor, conclamando-nos a amar os inimigos, reveste-se de profunda significação em todas as facetas pelas quais a examinemos, mobilizando os instrumentos da análise comum.

Geralmente, somos devedores de altos benefícios a quantos nos perseguem e caluniam; constituem os instrumentos que nos trabalham a individualidade, compelindo- nos a renovações de elevado alcance que raramente compreendemos nos instantes mais graves da experiência. São eles que nos indicam as fraquezas, as deficiências e as necessidades a serem atendidas na tarefa que estamos executando.

Os amigos, em muitas ocasiões, são imprevidentes companheiros, porquanto contemporizam com o mal; os adversários, porém, situam-no com vigor.

Pela rudeza do inimigo, o homem comumente se faz rubro e indignado uma só vez, mas, pela complacência dos afeiçoados, torna-se pálido e acabrunhado, vezes sem conta.

Não queremos dizer com isto que a criatura deva cultivar inimizades; no entanto, somos daqueles que reconhecem por beneméritos credores quantos nos proclamam as faltas.

São médicos corajosos que nos facultam corretivo.

É difícil para muita gente, na Terra, a aceitação de semelhante verdade; todavia, chega sempre um instante em que entendemos o apelo do Cristo, em sua magna extensão.

XAVIER, Francisco Cândido. Vinha de Luz. Pelo Espírito Emmanuel. 14.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1996. Capítulo 41.

Ante à Juventude

Como jovem arrolas queixas e azedumes, apontando o fracasso das gerações transatas, derrapando nos desfiladeiros da insensatez, em busca de novos desencantos.

Anotas erros que se sucedem na chamada "sociedade de consumo", com prevenções injustificáveis e complexas, sem que apresentes qualquer programa correto de elevação eficiente.

Repassas mentalmente as conquistas tecnológicas destes dias, acusas os familiares e genitores que debandam da intimidade doméstica para as lutas externas, entregando os filhos a servos e a escolas-maternais, a creches e jardins de infância, do que resultam desamor e desajustes irreversíveis.

A "volta às origens", que preconizas, inspirada na rebeldia contra a organização social, impõe-te reações que fazem esquecer os patrimônios da inteligência para açularem os instintos que se desgovernam, conspirando lamentavelmente contra a vida...

Requisitas justificações para a fuga da realidade, evadindo-te na direção dos alucinógenos e do sexo em desalinho, flutuando, desde então, em sonhos fantásticos que se transformam em altas cargas esquizofrênicas nos tecidos sutis do espírito encarnado...

São de todos os tempos, porém, as lutas juvenis laborando por afirmação, renovando estruturas sociais e econômicas, ativando interesses artísticos e culturais, abrindo horizontes dantes jamais sonhados nas paisagens da Ciência.

Doutrinas cínicas medraram sempre desde Diógenes que estruturava o seu pensamento ético na concepção do desrespeito à ordem, fundamentando as suas lições no culto à liberdade excessiva em detrimento da liberdade mesma que devia existir entre as demais pessoas à sua volta...

Floresceram, também, os motivadores da ação edificante que enobreceram a espécie humana, fazendo-a sobreviver às calamidades e impulsionando o ser na direção da saúde e da relativa felicidade que já alguns podem fruir mesmo na Terra.

Jovem, não é apenas aquele que dispõe de aparelhagem fisiológica nova. A juventude é estado interior que resulta do otimismo e da elevação a que se vincula o homem, inspirado pela indestrutibilidade do espírito - única segurança para quem empreende a tarefa da própria paz.

Jovens há que envelheceram nos compromissos negativos e não podem recomeçar, amargurados e amargurantes como se encontram. Enquanto outros, idosos, estão rejuvenescidos pelo ideal que esposam sem envelhecerem na caducidade dos propósitos em que insistem.

Corpo jovem não indica posição ideal da vida, antes é compromisso para com a própria evolução.

Espíritos amadurecidos no bem, em se emboscando nos corpos, refletem na indumentária de que se utilizam para avançar as condições de equilíbrio e sensatez, com que impulsionam a máquina do progresso. O mesmo ocorre com os espíritos em experiências iniciais da programática evolutiva, que apenas exteriorizam as paixões do instinto e as expressões da forma sem maiores vôos para as elevadas aspirações.

Não cogites, pois, de considerar pelo corpo o valor do homem. Enquanto se pode marchar sem remorsos nem constrições mantém-se a juventude, possui-se a condição de mocidade para sustentar a jornada.

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Constrói, desse modo, o amanhã, desde hoje, enquanto jovens são as tuas carnes e poderosas as tuas fôrças, dinamizando as possibilidades fomentadoras da harmonia, a fim de que o teu amanhã te chegue com bênçãos de paz, mediante o legado de gerações felizes, para os quais colaboraste, pelo sentido da ordem e do dever retamente cumprido à semelhança de Jesus, que, aos 12 anos, já superava os doutores da Lei, e, ao partir da Terra, muito jovem, renovou pelo exemplo todas as paisagens do planeta e plantou as bases do Novo Mundo, para cuja construção foste chamado e na qual te encontras.

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"Foge também das paixões da mocidade e segue a justiça, a fé, o amor, a paz com aquêles que invocam o Senhor com um coração puro". 2ª Epístola de Paulo a Timóteo: capítulo 2º, versículo 22.

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"Desde pequenina a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz da sua existência anterior. Ao estudá-los devem os pais aplicar-se. Todos os males se originam do egoísmo e do orgulho. Espreitem, pois, os pais os menores indícios reveladores do gérmen de tais vícios e cuidem de combatê-los, sem esperar que lancem raízes profundas". Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo 14º - Item 9, parágrafo 8.

FRANCO, Divaldo Pereira. Florações Evangélicas. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 45.